Diário #14: Nenhuma gota é chuva
[ou And in the end, the rain you take...]

O meu vôo de regresso para Portugal era às 5h25min da manhã. Tento sempre chegar, pelo menos, 2 horas antes da partida e como o aeroporto ficava perto de onde estava a passar a noite, tinha combinado táxi para as 3h10min.

A noite foi de chuva torrencial e de muita trovoada. A partir das 2h15min já me encontrava em pé porque o barulho do temporal não me permitiu dormir mais. O táxi não apareceu, nem foi possível arranjar outro, certamente pelo dilúvio que se vivia. Teria certamente mais sorte se esperasse por um barco. Por isso, tive que ir a pé para o aeroporto, mas se soubesse nadar, teria ido a nado. Esta tarefa, apesar de bastante difícil teria sido impossível se não tivesse tido a ajuda do segurança da pousada onde fiquei, que me ajudou a levar uma das minhas malas.

As grandes obras são sempre fruto de um colectivo. Vivemos muitas vezes esperando pela gota que irá regar os nossos desertos, mas só na união em torno de objectivos comuns é que podemos ultrapassar as maiores dificuldades. Nenhuma gota é chuva.

Como dizem os "Beatles": And in the end, the love you take, is equal to the love you make.

Quero agradecer a todas as pessoas que na Guiné-Bissau foram trabalhando para alcançar os meus objectivos. Quero deixar um agradecimento especial ao Mohamed Sani, à Fatumata, ao Alfa, ao Super Manhã e a N’Simble pelo trabalho que têm feito na “Rota”.

Nenhuma gota é chuva.

PS: Não consegui publicar os meus outros diários por falta de tempo, ou por falta de condições. Houve dias em que ter o telemóvel com bateria e Internet em simultâneo foi tarefa impossível.

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