Ambulance for Hearts

Dia 3 [ou Dia 1: Un problème est devenu quelque chose de très beau]

Marrakech - Tiznit (284 km + alguns em dois reboques)

No final do dia de ontem, o Jipe C. Quim (aportuguesei o nome) estava um pouco desleixado ao travar e por isso teve que ser visto por um mecânico para nossa garantia. Por não termos nenhum amigo mecânico em Marrakech, a dona do Hotel Paradise onde passamos a noite, Naïma, levou-nos a um. Ela foi de uma amabilidade incrível e no final, depois de termos partilhado lágrimas ao vermos em conjunto os desenhos que trazemos connosco na "Ambulance for Hearts", não nos deixou pagar ao mecânico. Tudo se complicou quando o mecânico também não deixou a mulher pagar quando percebeu em que consistia o nosso projecto. Gerou-se uma agradável discussão para ver quem nos pagava o arranjo do carro. A discussão terminou quando o mecânico disse que tinha jurado que não nos cobraria dinheiro. Naïma aceitou logo a decisão. A palavra aqui é sagrada. Talvez por isso tenho encontrado algo de sagrado nas conversas que tenho tido.

Os travões são modificadores de velocidade. Para isso, têm de trocar a distância ou o tempo. Certamente mais tempo. É irónico como à medida que o tempo passa, nos afastamos, mas também nos aproximamos. Dos destinos e das pessoas.

Para ser um dia memorável, tivemos a nossa primeira avaria mais séria. A ventoinha decidiu que deveríamos falar com mais mecânicos e deixou de trabalhar. Para não arriscar um sobreaquecimento, tivemos que ir de reboque até Agadir. Para ser verdadeiro devo dizer que fomos em dois reboques até Agadir. Um até antes da portagem, que passamos empurrando o carro, para depois fazê-lo entrar noutro reboque, e sermos transportados até ao mecânico em Agadir. Mais uma vez não quiseram aceitar dinheiro depois de perceberem o nosso destino.

Não andamos muito hoje. Mas foi o dia em que mais viajamos. Esta noite deitei-me a desejar ter um coração marroquino 🚑💕💕